Carnaval nas periferias: identidade cultural, resistência e transformação social
- Andreia Alves de Jesus

- há 21 horas
- 3 min de leitura
O Carnaval é uma das mais importantes manifestações da cultura popular brasileira, ultrapassando o caráter festivo para se afirmar como espaço de construção simbólica, identidade coletiva e resistência. Nas periferias urbanas, essa festa assume um papel central na produção cultural e na afirmação de sujeitos historicamente marginalizados, funcionando como um território de expressão política e social.

Cultura que nasce da comunidade e se torna afirmação identitária
O Carnaval não é apenas uma festa anual, mas um processo contínuo de organização comunitária e expressão cultural. Blocos de rua, escolas de samba, grupos de maracatu, afoxés e outras manifestações populares nascem do esforço coletivo de moradores que, muitas vezes, enfrentam a falta de recursos, apoio institucional e visibilidade. Ainda assim, transformam o pouco que têm em arte, ritmo e narrativa própria, reafirmando suas histórias e identidades.
Em territórios muitas vezes marcados pelo estigma social, o Carnaval é um ato de ocupação e orgulho. Corpos negros, comunidade LGBTQIA+ e moradores das periferias ganham centralidade, rompendo padrões estéticos e reafirmando outras formas de beleza e cultura.
Geração de renda e fortalecimento do comércio local
É importante ressaltar que o Carnaval nas periferias é uma ferramenta de geração de renda, pois movimenta a economia local por meio da criação de empregos temporários e da valorização de saberes comunitários. Costureiras, músicos, artesãos, ambulantes, produtores culturais e pequenos comerciantes encontram na festa uma fonte de sustento, além de fortalecer redes solidárias e estimular o empreendedorismo local, gera trabalho informal e fortalece redes de solidariedade. Mais importante ainda, contribui para a construção da autoestima coletiva e para a valorização simbólica de territórios frequentemente associados apenas à violência e à exclusão social.
Dessa forma, o Carnaval nas periferias deve ser compreendido como um fenômeno sociocultural complexo, que articula identidade, resistência e transformação social. Ao dar visibilidade às narrativas periféricas e valorizar saberes populares, o Carnaval reafirma a diversidade cultural brasileira e evidencia que as periferias são espaços de criação, potência e produção cultural legítima.
Carnaval como educação e cidadania
Fazendo uma analogia os Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) desempenham um papel fundamental na formação cidadã, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. Ao promover espaços coletivos de diálogo, aprendizagem e troca de experiências, esses serviços contribuem para o desenvolvimento social, cultural e político dos indivíduos. Nesse sentido, o Carnaval, enquanto manifestação da cultura popular brasileira, pode ser um importante instrumento pedagógico na construção da cidadania e da identidade cultural.
A partir dos conhecimentos sobre o Carnaval, os Serviços de Convivência fomentam o reconhecimento da cultura como direito social, a identidade cultural é construída por meio das práticas sociais e dos significados compartilhados. Ao trabalhar o Carnaval em oficinas, rodas de conversa e atividades artísticas, os SCFV possibilitam que crianças, adolescentes, adultos e idosos compreendam suas origens culturais, valorizem suas histórias e reconheçam-se como sujeitos pertencentes a uma coletividade.
O Carnaval também favorece a educação para a cidadania ao promover valores como participação, cooperação e respeito à diversidade. Nas atividades desenvolvidas pelos Serviços de Convivência — como a construção coletiva de fantasias, ensaios de dança, música e produção de enredos — os participantes exercitam o trabalho em grupo, o diálogo e a tomada de decisões coletivas. Segundo Paulo Freire (1996), a educação deve ser um processo libertador, no qual o sujeito se reconhece como agente de transformação social. O Carnaval, nesse contexto, torna-se uma prática educativa que estimula a consciência crítica e o protagonismo social.
O Carnaval nas periferias é arte, resistência e transformação social.
Ele mostra que esses territórios não são apenas espaços de carência, mas de criação, potência e cultura legítima. Celebrar o Carnaval é também celebrar a diversidade e reconhecer que a periferia é parte essencial da identidade cultural brasileira.
Por: Andreia Alves de Jesus Assistente Social
Parceira da Social Bom Jesus há duas décadas e colaboradora há quatro anos
Iniciei no NCI Seiva da Vida como Assistente social, posteriormente CEDESP Clube da Turma como assistente Social e atualmente Gerente de Serviços CCInter Paraisópolis, ao que considero uma das maiores missão da minha vida!
















Comentários