top of page

Especial dia das Mães: Entre a escuta e o cuidado, maternidade solo e vulnerabilidade.

  • Foto do escritor: Debora Cavalcante
    Debora Cavalcante
  • há 20 horas
  • 3 min de leitura

Quando a maternidade solo encontra a vulnerabilidade social, o que deveria ser cuidado muitas vezes se transforma em sobrecarga. Diante do abandono paterno e da ausência ou fragilidade da rede de apoio familiar, muitas mulheres passam a cuidar sozinhas de seus filhos. Sem ter com quem contar, o apoio acaba vindo de onde é possível: de outras mulheres na mesma situação ou das equipes dos serviços em que estão inseridas — como no caso das mães solo da Vila Reencontro Jabaquara II.


DIA DAS MÃES - MATERNIDADE SOLO E VULNERABILIDADE

O abandono paterno é uma violência que deixa marcas profundas. A responsabilidade de cuidar, sustentar e educar recai quase sempre sobre elas. Muitas acabam permanecendo em relações abusivas na tentativa de dividir o peso, mas, na prática, isso raramente acontece.

Na atuação como psicólogo, eu Ewerton, percebo o quanto essas mulheres precisam, antes de qualquer coisa, de um espaço de escuta verdadeira. Um espaço sem julgamento, que acolha e fortaleça. Porque antes de serem mães, são mulheres — com sonhos, desejos e vontades. A maternidade não pode ser mais um lugar de sofrimento.


Cuidar da saúde física e emocional dessas mães é essencial. Atendimento médico, acompanhamento psicológico, exames e tratamentos fazem diferença. Não há como falar em autonomia sem falar em cuidado.


Na Vila Reencontro Jabaquara II, muitas mulheres chegam fragilizadas, com vínculos rompidos, dificuldades financeiras, afastadas do mercado de trabalho e, muitas vezes, sem conhecer seus próprios direitos. Logo no primeiro atendimento, já surgem várias camadas de vulnerabilidade.

Por isso, o papel de quem acolhe é tão importante. Não é apenas escutar, mas caminhar junto: pensar possibilidades, construir caminhos, fortalecer vínculos e abrir portas para saúde, educação e trabalho.


E quando falamos de trabalho, a realidade é dura. Muitas mães querem e precisam trabalhar, mas esbarram em um problema básico: com quem deixar os filhos?


Uma situação marcante foi durante um processo seletivo em parceria com uma empresa. Uma moradora, que vinha se destacando, nos procurou dizendo que não conseguiria participar da última etapa porque não tinha com quem deixar a filha. A solução foi simples, mas transformadora: a equipe técnica ficou com a criança durante a entrevista, garantindo que ela pudesse participar com tranquilidade. Esse cuidado coletivo possibilitou que ela conquistasse a vaga.


Mas a aprovação não encerra a vulnerabilidade. Vem o desafio diário de ser mãe solo e trabalhadora ao mesmo tempo, de dar conta de tudo. Essa realidade é ainda mais intensa para mães imigrantes e refugiadas, que enfrentam barreiras de idioma, cultura e acesso, muitas vezes em trabalhos precários e mal remunerados. Ainda assim, seguem. E nesse caminho, criam redes de apoio entre si, se fortalecem e resistem.


Essas histórias mostram que, apesar das dores serem parecidas, cada mulher é única. Cada uma tem sua história, seus limites e seus sonhos. Mais do que olhar para a vulnerabilidade, é preciso enxergar potência. Garantir direitos, acesso e dignidade.


Porque quando uma mulher encontra apoio de verdade, ela não muda apenas a própria vida — ela transforma o caminho de tudo o que vem depois dela.


Contato:

Vila Reencontro Jabaquara II

Rua Conception Arenal, 167​



Por: Ewerton Vicente

Ewerton, homem cis, homossexual e morador da zona sul de São Paulo. Psicólogo e atuante em movimentos sociais, principalmente na luta LGBTQIA+. Trabalha na Assistência Social há 12 anos e atua como psicólogo há 1 ano e 3 meses no Programa Reencontro Jabaquara II, no Bom Jesus.

Ao longo de sua trajetória, passou pelos serviços SASF, CCA, CJ e POP Rua, atuando no atendimento de famílias, crianças, adolescentes e população em situação de rua. Sua caminhada profissional é marcada pelo compromisso com a diversidade, inclusão, acolhimento e fortalecimento de vínculos através da escuta e do cuidado.


Coordenadora – Débora Cavalcante Gonçalves

 
 
 

Comentários


bottom of page