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Setembro Amarelo: saúde mental, vínculos e cuidado com a vida

  • Foto do escritor: Paula Ibiapim
    Paula Ibiapim
  • há 11 horas
  • 3 min de leitura

Falar sobre saúde mental é falar sobre vida, cuidado, vínculos, acolhimento e possibilidades.


Durante o mês de setembro, a campanha Setembro Amarelo amplia o debate sobre saúde mental e prevenção ao suicídio, convidando a sociedade a olhar com mais atenção para as diferentes formas de sofrimento que podem estar presentes no cotidiano de crianças, adolescentes, adultos, idosos e famílias.

Mais do que uma campanha de conscientização, o Setembro Amarelo nos lembra que cuidar da saúde mental é uma responsabilidade coletiva, que envolve pessoas, famílias, comunidades e toda a rede de proteção.


No cotidiano das famílias acompanhadas pelos SASFs do Social Bom Jesus, essa reflexão está diretamente relacionada ao trabalho de fortalecimento de vínculos, ampliação das redes de apoio, acesso a direitos e construção de estratégias de cuidado e proteção.


setembro amarelo - sasf social bom jesus

Nem todo sofrimento é visível

Nem sempre conseguimos perceber quando alguém está passando por um momento difícil. Por trás de uma rotina aparentemente normal, de um sorriso ou de um “está tudo bem”, pode existir uma pessoa enfrentando angústia, tristeza, solidão, desesperança, conflitos familiares ou dificuldades para lidar com as situações da vida.


Por isso, escutar é uma forma de cuidado. Criar espaços onde as pessoas possam falar sobre seus sentimentos, compartilhar suas dificuldades e ser acolhidas sem julgamentos pode fazer uma diferença importante, especialmente em momentos de maior fragilidade.

Uma escuta atenta não precisa ter respostas para tudo. Muitas vezes, estar presente, demonstrar interesse genuíno e reconhecer o sofrimento já é um primeiro passo para construir caminhos de cuidado.


Saúde mental também está relacionada às condições de vida

Quando falamos sobre saúde mental no contexto do trabalho social com famílias, é importante compreender que o bem-estar emocional não está separado da realidade em que as pessoas vivem.


Situações de vulnerabilidade social, isolamento, conflitos familiares, perdas, sobrecarga, dificuldades financeiras, violência e outras adversidades podem afetar profundamente a vida e as relações.

Por isso, cuidar da saúde mental também significa fortalecer vínculos, ampliar redes de apoio, promover acesso a direitos e aproximar as famílias dos serviços existentes no território.


É nesse sentido que o trabalho desenvolvido pelos SASFs do SBJ possui um papel importante. Por meio do acompanhamento social, das ações coletivas, da escuta e da articulação com a rede de serviços, busca-se contribuir para que indivíduos e famílias tenham suas potencialidades reconhecidas e possam construir estratégias para enfrentar as dificuldades presentes em suas trajetórias.


Ninguém precisa enfrentar tudo sozinho - Setembro amarelo

Quando falamos em prevenção ao suicídio, também falamos sobre a importância de reconhecer sinais de sofrimento e não minimizar a dor do outro.

Frases como “isso é falta do que fazer”, “você precisa ser forte” ou “isso vai passar” podem parecer uma tentativa de ajudar, mas muitas vezes acabam afastando a pessoa de uma conversa necessária.


setembro amarelo - sasf social bom jesus

Em seu lugar, podemos oferecer presença, escuta e acolhimento. Podemos perguntar como a pessoa está, demonstrar que estamos disponíveis para ouvi-la e, quando necessário, ajudá-la a buscar atendimento especializado e os serviços da rede de proteção.

Buscar apoio é um ato de coragem e cuidado, nunca de fraqueza. Cada pessoa possui uma história, uma realidade e diferentes formas de enfrentar as dificuldades. Por isso, o cuidado precisa considerar suas singularidades e, sempre que possível, fortalecer as relações e redes que fazem parte de sua vida.


O cuidado se constrói em rede

O trabalho social com famílias nos mostra diariamente que ninguém vive de forma isolada. As relações familiares, comunitárias e institucionais podem representar importantes fontes de apoio e proteção.

Os SASFs contribuem para esse processo ao atuar no fortalecimento de vínculos, na ampliação das redes de apoio, no acesso a direitos e na articulação com os serviços do território.


Falar sobre saúde mental, portanto, também é reconhecer a importância das políticas públicas e de uma rede de proteção capaz de acolher as diferentes necessidades das pessoas e famílias.

O Setembro Amarelo nos convida a olhar para aquilo que muitas vezes não conseguimos enxergar. Mas esse olhar não deve acontecer apenas em setembro.


Que possamos transformar a campanha em uma atitude permanente: mais escuta, mais diálogo, menos julgamentos e mais cuidado com as pessoas e com as relações que nos sustentam.


Porque cuidar da saúde mental também é cuidar dos vínculos, fortalecer redes e, sobretudo, cuidar da vida.


O sofrimento que não conseguimos enxergar também precisa ser acolhido.


Por: Paula Ibiapim

Psicóloga formada em 2008, atuando como Técnica de Psicologia no Social Bom Jesus desde 2011. Pós-graduada em Saúde Mental, Psicopatologia e Atenção Psicossocial, Terapia Cognitivo-Comportamental e Psicologia Hospitalar.

 
 
 

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